segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Ambiguidade.






Da mesma forma que enfrento a crueldade de um ser que devia proteger-me, não sei lidar com a simplicidade de um “NÃO” cotidiano. Entre as marcas que carrego todas me levam a um único caminho do qual, boa parte, caminhei sozinha. Aceitar que “alguém me diga que não posso, não devo” é jogar a bagagem adquirida na caminhada, dura, no lixo.
As lágrimas já não podem descer em publico, no entanto o travesseiro por horas inteiras absorve as marcas de uma ferida mal curada. Gotas transparentes, intensas que lavam a alma e a enrigessem para a próxima luta, estas por sua vez não deveria ser motivo de vergonha, mais são. O choro de antes, desabafo. O de hoje, fraqueza. O tempo vai passando e se enganam aqueles que dizem que o tempo cura tudo, que trás o esquecimento, que é o melhor remédio.
NÃO CURA. NÃO TRAS. NÃO É.
Quando sentires o mundo desabar sobre sua cabeça Deus lhe curará, não lhe fará esquecer encinar-te-á a compreender tua provação. Posso dizer-te que pelo que passei já consigo entender, não gostaria de passar por ela novamente, no entanto passaria por proteção, por lealdade, por amor. O fardo é pesado para ser carregado sozinho, sei que ao fim da estrada há uma luz que guia a caminhada. Só que há um, porém também quero ser cuidada, preciso. Por baixo da armadura, que guarda com tanto afinco aquelas que são dignas do amor, da lealdade e da proteção, a insegurança tem espaço, tem travesseiros encharcados, debaixo da armadura tem só uma menina que toma grandes atitudes. Que cresceu sem saber o porque.

Pamela Cristina.

sábado, 11 de setembro de 2010

Sonhe para nãio enlouquecer

Sinto falta do tempo em que as perguntas mais complicadas a minha mãe podia responder. Beijos curavam machucados, que andar com a roupa suja era sinal de que a brincadeira rendeu. Tempo bom o que podíamos começar o dia sendo a branca de neve e virar a bela adormecida quando o sol dava passagem para a lua embalar nossos sonhos.
Muitos sonhos foram embalados, e agora somos avaliados pelo que somos, pelo que fazemos, e não há como fugir. Ou você aceita os padrões ou fica á margem. Será taxado de louco, doente, terá sorte se conseguir sobreviver, terão pena de você, mas nunca, jamais, será considerado alguém feliz. Porque para seres feliz é preciso que abandones todas as fantasias, para encarar a realidade nua e crua. É isto que nos é vendido como idéia de felicidade.
Loucura. Eu vos digo o que é loucura, é deixar-se levar pelo o que nos vendem. Abandonar a essência dos sonhos vividos tão intensamente antes, isto é loucura. A felicidade expressa por ai não é real, acredite que suas lágrimas não durarão uma vida inteira e a sua dor mais profunda pode ser curada por um beijo. Para as perguntas mais complicadas, não encontrarás resposta em um livro. Fantasias não são reais, no entanto podem salvar-te da insanidade que lhe espera, caso as abandone.


Pamela Cristina – habitante da rua dos sonhos, terra do nunca.