sábado, 30 de outubro de 2010

S.O.S



O meu corpo não responde mais aos meus comandos, parece ter adquirido uma vida paralela onde estes são inválidos. Há algo errado, sei que há, no entanto a solução está fora do alcance das minhas mãos. Vozes me falam a todo o momento, do erro, apontam-me o caminho certo, mas meus olhos recusam-se a enxergar. Há mãos estendidas para que eu possa segura-las, no entanto meu corpo não é mais meu. Os meus olhos,se voltam para imagem refletida no espelho.
Distorcida?
Esta não sou eu, não pode ser.
Das vozes que me falam tento, desesperadamente, encontrar a Sua, mas os meus ouvidos também não me obedecem mais. No entanto Senhor, este coração ainda é inteiramente Seu, por mais que meu cérebro seja dominado, por uma imagem ilusória. Sei que habitas o meu ser, e das vozes que ouço a maior parte delas vem de ti, as mãos que estendidas para me levantar, são as suas.
Meus órgãos gritam por socorro, não posso ouvir! O reflexo me diz que passará.
Meus olhos se fecham por alguns instantes e quando se abrem, pessoas me olham e fazem perguntas das quais não consigo responder.
Criei um mostro, abriguei-o em mim, e agora este me deixa um tanto:
Vulnerável? Assustada? Frágil?
Não posso! Tenho de ser forte, e mesmo que eu não admita a fragilidade está em mim.
Por isto, vozes que me falam, mãos que se estendem, apurem seus ouvidos, escutem o grito do meu coração e venham até mim. Não desistam! Quando eu lhes disser que “ Não”, levem-me mesmo assim, pois a única parte do corpo,que ainda obedece os meus comandos está lhes gritando um SIM.




“Fala comigo, fala Senhor, decidi te obedecer por amor, fala comigo como pastor que conduz o teu rebanho, eu desconheço outra voz que não venha de ti. Fala comigo Senhor, eu preciso te ouvir. EU PRECISO TE OUVIR.”
Pamela Cristina.

sábado, 23 de outubro de 2010

A.m.o.r

Como pode o amor morar em apenas um coração? Deveria ser bom, agradável. Por que se negas, ò amor, a morares em dois corações? Se for de teu desejo que todos sintam seu poder, porque não se multiplicas ao invés de dividires?! Deixarei registrado aqui recado para você, amor? Não finja que ama se não sentes nada, desejo não é amor. Da mesma forma que lhe entreguei meu coração, decidi hoje, o pegar de novo para mim. Noto porém, que este veio com mutilado, mas não há com que se preocupar, passará.
Quando se ama passa a enxergar através de uma nevoa, onde defeitos não ultrapassam, e quando o amor transforma-se em encanto qualquer “coisinha” o quebra. Os defeitos aparecem, o encanto vai se partindo e ai, a realidade. Ah a realidade! Da mesma forma que ilude... Cega, ela também é capaz de machucar. Ah o recado, já estava me esquecendo digo-te, pois que quando as feridas se fecham e deixam marcas profundas e sabe o que o faz estas marcas desaparecerem? AMOR.
Você? Não, outro amor.
Este há de chegar, e até lá meu coração não te pertencerá mais. Encarregar-me-ei, a partir de hoje, sofra o mínimo possível, e que mais ninguém o estilhace, porque depois sou eu quem se encarrega de juntar os cacos. E sabe com que eles são colados? Lágrimas. O que deverias saber é ainda mais difícil. No entanto, assim farei e tu á de ver o meu coração que um dia foi seu, com cola extra, amado, protegido demais para ser quebrado por falsos amores.


Se você pensa/Em fazer chorar a quem lhe quer
A quem só pensa em você/Um dia sentirá
Que amar é bom demais. (Coração de papel - Sérgio Reis)


Pamela Cristina.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Tempo ao tempo.

Tempo. Este é o problema, queria que ele não demorasse tanto a passar. Queria que as coisas fizessem mais sentido, talvez se o tempo andasse um pouco mais depressa eu compreenderia melhor.
Por quê? Hein?! Por que tenho que ter tantas preocupações?!
Quando é que vou poder parar de ser durona?! Quando perceberão que não tenho idade para tanto?! A culpa aperta-me o peito, inunda os lugares mais obscuros, causando dor provocando um vazio tamanho que encharca minha face cansada. Não tenho a pretensão de abandonar ninguém, e nem quero cobrar nada, não pensem isto jamais. Só que também quero ser acalentada, será que não passa pela sua cabeça que também preciso de cuidados?!
E se eu decidir não vir para casa? Sentirás minha falta depois de quanto tempo?! Faz quanto tempo que não me olhas, que não perguntas como estou?!Esse seu pseudo-amor parece ter te cegado de tal forma que nem sei se és capaz de enxergar através deste, quem dirá comover-te com meu desabafo.
Penso sim em jogar tudo para o alto, chutar o balde mesmo, por que não o faço?
Por amor, não correria o risco de deixar a mercê do seu egoísmo pessoas que não o merecem. Eu queria entender sabe? Eu saí do teu ventre e não posso te ter nem por uns instantes, abri mão de tanta coisa nesses últimos dois anos, causasse-mês tanta dor, fui capaz de passar por cima disto e ainda assim não sou digna de ter a tua atenção, o teu carinho. Eu quero que tuas mãos se entrelacem em meus cabelos, quero te contar meus problemas, dúvidas, anseios, no entanto não pareces tão disposta assim, falta algo. E não acredito que seja tempo, talvez interesse, vontade. Quero sim, que o tempo passe depressa, e me dê sabedoria para tentar compreender o porquê disso tudo. Há uma razão, sei que há só não consegui encontrá-la ainda. Tudo bem passará. Só que daqui para frente não me privarei de nada por sua causa, não me sentirei culpada, não há nada de errado em querer viver o que a vida me proporciona. NADA. Não passarei por mais nenhuma situação desagradável por sua causa, nem por mais ninguém e igualmente não admitirei que mais ninguém além de mim amadureça antes do tempo. Cada coisa à seu tempo.





O tempo está querendo Tempo,
pra arrumar as coisas do seu jeito,
A gente so precisa de bom senso,
e tirar a mágoa aqui dentro do peito.
Meu coração pergunta o que é que eu fiz,
eu já não Sei ficar, tão infeliz,
qual é o amor que vive por um triz?
Se eu errei,Não foi porque eu quis.


Pamela Cristina.